19.12.12

Atividades do Olga da região do ABC em novembro



O mês de novembro marca a luta das mulheres pelo fim da violência cometida contra elas. A data, 25 de novembro, é uma homenagem às irmãs Mirabal, assassinadas pela ditadura da República Dominicana, na década de 80. No Brasil, mais de 43 mil mulheres foram assassinadas nos últimos 10 anos e a cada 15 segundos uma mulher é agredida. E embora tenhamos avanços legais com a Lei Maria da Penha, não contamos com instrumentos públicos que viabilizem a aplicação desta lei que coíbe este tipo de violência. As Delegacias da Mulher só funcionam de segunda à sexta até as 18 horas e não funcionam aos finais de semana, justamente quando ocorrem o maior número de agressões contra a mulher.

Como parte desta luta, o Movimento de Mulheres Olga Benário do ABC organizou diversas atividades.

A primeira delas aconteceu no dia 20 de novembro, em Mauá, na EMEJA Clarice Lispector. Com mais de 30 estudantes e professoras, a advogada Raquel Brito falou sobre os avanços e limites da Lei Maria da Penha.




No dia 27 de novembro na UFABC houve um outro debate sobre o tema violência contra a mulher. O debate teve início com a exposição de Bruna Magno sobre a história do dia 25 de novembro e sobre quem foi Maria da Penha. Em seguida Carol Mendonça falou sobre as origens e causas da violência, além da contribuição de Carol Vigliar do MLC, sobre a mulher enquanto mercadoria no Capitalismo e sua dupla opressão. Houve a participação de jovens da universidade no debate e também no mural interativo que foi colocado no saguão do prédio Alfha onde os estudantes puderam opinar sobre o que pensam a respeito da violência contra a mulher.

Como parte das atividades, o Movimento de Mulheres Olga Benário, organizou, no dia 30 de novembro um ato pelas ruas de Santo André-SP, que contou com a participação de aproximadamente 40 mulheres. A atividade começou com uma panfletagem do jornal do movimento na principal estação de trem da cidade.




Em seguida as mulheres seguiram em caminhada pelas principais ruas do centro da cidade recebendo total apoio da população. Um dos momentos mais emocionantes da caminhada, foi notarmos a emoção de uma mulher que via a passeata e ao pegar nosso jornal, chorou, nos contando que já sofreu no passado muitas agressões do marido. Durante o ato foram lembradas também as mulheres assassinadas como Eloá, Elisa e Mércia, entre tantas outras. No carro de som, denunciaram a situação de violência pela qual passam.




A passeata seguiu até a Delegacia da Mulher de Santo André, para lá entregar uma carta denunciando o horário de fechamento da delegacia e exigindo que esta funcione diariamente, durante 24 horas. A grande surpresa foi o imenso descaso que as mulheres foram tratadas. Aguardaram algum tempo até que alguém aparecesse para atender. Em seguida, informaram que a delegada não estava e inicialmente as duas funcionárias que lá se encontravam se recusaram a protocolar a entrega do nosso documento.




Após escutarem que as delegacias de mulher são fruto da luta do movimento de mulheres, e como tantas outras conquistas que já obtivemos, continuaremos em luta até alcançarmos mais esta, elas enfim, protocolaram a entrega do nosso documento que reivindica: A ampliação do funcionamento desta Delegacia para 24 horas e a abertura da Delegacia de Defesa da Mulher aos fins de semana!

O Movimento segue em suas atividades, organizando núcleos de mulheres, que se reunem para debater sua situação e pensar coletivamente em formas de mudança. Junte-se a nós!

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